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A
existência do transtorno do déficit de
atenção/hiperatividade como um distúrbio
clínico é irrefutável. Apesar
da etiologia e do perfil sintomático permanecerem
em constante debate, os sintomas e consequências
do TDAH são facilmente observáveis.
Embora teorias retartem
o TDAH como um transtorno do desenvolvimento, isto
não deve ser encarado como um obstáculo
para aceitarmos tal condição como um
fator presente durante a vida de um indivíduo,
ainda que os métodos científicos requeiram
mais do que hipóteses para escrevê-lo
como fato. Apesar do conhecimento de milhares de artigos
que falam sobre o TDAH, a literatura é escassa
quando se trata de tal distúrbio em adultos.
A quantidade destes estudos vem aumentando siginificativamente
ano após ano, inclusive estudos longitudinais
que retratam o distúrbio da infância
até a idade adulta. Cada uma destas publicações
envolvem a promessa de novos dados sobre o comportamento
do TDAH na fase adulta. O tempo determinará
quais caminhos seguir e quais serão os resultados
finais.
Infelizmente, as publicações atuais
não são baseadas em dados científicos,
e sim, em "impressões" clínicas
de determinados profissionais. Tanto na prática
clínica quanto nas pesquisas, há incompreensão
quanto ao processo diagnóstico, particularmente
no que se refere ao fato de que um conjunto de sintomas
presentes na infância podem estar presentes
também na fase adulta. Por exemplo, algumas
pesquisas sugerem, baseadas em revisão de literatura,
qua á medida que o indivíduo envelhece
(quanto mais anos se passem), os sintomas que são
encontrados facilmente na infância tornam-se
"encobertos", mascarados. Porém,
quando dados são coletados levando-se em consideração
o sexo do indivíduo e sua evolução
cronológica, fica claro que os sintomas do
TDAH persistem e causam prejuízo para um grupo
significativo de adultos. Estes adultos referem problemas
psicológicos, apresentam mais dificuldade para
dirigir e frequentemente mudam de emprego. Também
com frequência referem uma experiência
educacional inconsistente e casamentos múltiplos.
Não estou sugerindo que seria impossível
para alguém com TDAH obter um título
de graduação ou manter um relacionamento
estável, apenas que estes indivívuos
terão mais dificuldades de consegui-los do
que um adulto normal na população geral.
A natureza biopsicossicial do distúrbio através
dos anos tem se tornado aparente, e de forma crescente,
nos últimos 15 ano. Adutlos com TDAH demonstram
maior dificuldade quando perdem a atenção,
pois não conseguem mudar de tarefa ou desviar
sua atenção para um novo assunto satisfatoriamente.
Quando submetidos a testes neuropsicológicos,
frquentemente apresentam dificuldades para manter
a atenção, planejar uma ação,
organizar o raciocínio, lidar com pistas visuais
e manter a atenção auditiva. Alguns
pesquisadores sugerem que o TDAH pode refletir um
padrão adpatado de habilidades desenvolvidas
baseadas em um modelo de evolução, mas
a literatura sobre isso é limitada. Não
há estudos que revelem qualquer vantagem que
indivíduos com TDAH apresentem sobre indivíduos
normais. Além disso, o crescente reconhecimento
de que o distúrbio reflete não só
um problema de atenção, mas também
um problema de auto-regulação ou auto-controle
fornece hipóteses para explicar uma infinidade
de problemas geralmente identificados em adultos com
história de TDAH. Isso explica que, além
de desenvolver e adaptar um valiosos leque de qualidades,
indivíduos com TDAH sofrem uma "fraqueza"
para desenvolver uma auto-regulação
e funções executivas eficientes.
É estimado que aproximadamente um terço
dos adultos com TDAH progride satisfatoriamente em
sua vida adulta. Outro terço destes adultos
continuam apresentando alguns problemas, enquanto
que o último terço deles frequentemente
desenvolve alterações sigficantes. Levando-se
em consideração estudos com resultados
bem conduzidos, conclui-se que 10% a 20% dos adultos
com história de TDAH apresentam dificuldades;
60% continuam apresentando sintomas de TDAH e experienciam
problema emocionais, acadêmicos e sociais pelo
menos em nível leve a moderado. Finalmente,
10% a 30% desenvolvem problemas anti-sociais ou outras
co-morbidades como ansiedade e depressão. Muitas
dessas dificuldades estão ligadas a continuidade,
severidade e persistência dos sintomas do TDAH.
Há dados muito limitados que sugerem que mulheres
tratadas precocemente tem risco reduzido para alguns
problemas em relação aos móveis,
mas a taxa de depressão e ansiedade entre elas
é igual, se não maior, eventualmente.
Estudos estão demonstrando que adultos com
TDAH relatam os mesmos sintomas descritos quando a
patologia é dignosticada na infância,
mas o impacto desses sintomas em suas vidas é
diferente. Além disso pelo menos em grau leve,
a maioria dos adultos da população geral
relatam alguns sintomas relacionados com falta de
atenção e controle de impulsos.
Um crescente número de autores que pesquisam
o modelo de desenvolvimento têm demosntrado
que certos comportamentos se apresentam na infância
podem prever, de modos geral, risco de problemas na
idade adulta, assim como identificam fatores que reduzem
o risco e aumentam a chance de uma transição
satisfatória para a idade adulta. De modo geral,
alguns fatores que favorecem ou protegem a criança
de alterações psiquiátricas também
envolvem a criança com TDAH (atualmente, os
dados são limitados quanto a tais fatores específicos
para o TDAH). Fazer parte de uma família, com
condições mínimas de sobrevivência
(acima do nível da miséria), com pais
livres de problemas psiquiátricos, emocionamente
e fisicamente presentes na vida da criança
são fatores que preconizam um bom desenvolvimento.
Especificamente no que se refere ao TDAH, o desenvolvimento
de comportamento agressivo, depressão e abuso
infantil pode aumentar o risco de desvios na idade
adulta. Outros fatores que podem interferir no desenvolvimento
infantil são pais portadores de psicopatologias,
dificuldades de aprendizagem e cognição
diminuída.
Há uma tendência que sugere que a combinação
de medicação, terapia cognitiva e trainamento
de algumas atividades é benéfica para
adultos com TDAH.
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