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Como se manifesta a inteligência lógico-matemática?

A competência que Gardner define como "inteligência lógico-matemática" desenvolve-se no confronto do sujeito com o mundo dos objetos. Essa forma de inteligência, portanto, manifesta-se na facilidade para o cálculo, na capacidade de perceber a geometria nos espaços, no prazer específico que algumas pessoas sentem ao descansar resolvendo um quebra-cabeça que requer pensamento lógico ou ao inventar problemas lógicos enquanto estão no trânsito congestionado ou aguardando em uma longa fila.
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Entre todas as inteligências, indiscutivelmente, a lógico-matemática e a verbal são as de maior prestígio.
O estímulo a essa forma de inteligência encontra-se muito bem fundamentado nos estudos de Piaget. Segundo sua concepção, o entendimento lógico matemático deriva, inicialmente, das ações da criança sobre o mundo quando, ainda no berço, explora suas chupetas, seus chocalhos, seus móbiles e outros "brinquedos" para, em seguida, formar expectativas sobre como esses objetos irão se comportar em outras circunstâncias.

O aluno, assim como é alfabetizado na descoberta dos signos das letras e com as mesmas forma sílabas e palavras, necessita ter "matematicamente alfabetizado" quando, decifrando os signos matemáticos, conquista a permanência do objeto, descobrindo que possui uma existência separada das ações específicas do indivíduo sobre ele. Ao reconhecer a permanência do objeto, pensar e referir-se a ele mesmo em sua ausência, a criança torna-se capaz de reconhecer as similaridades entre objetos, ordenando-se em classes e conjuntos.
O desenvolvimento matemático segue a passagem das ações sensório-motoras para operações formais concretas e da capacidade de cálculo avança para raciocínios lógicos experimentais.

O simples exercício de buscar a lógica das coisas ou de descobrir que determinados enunciados "não apresentam qualquer lógica" constituem os exercícios pedagógicos de trabalhar as habilidades de classificação, comparação ou dedução.
A relação dessa inteligência com as demais é muito mais explícita. A beleza da lógica e a expressão pura da matematização do cotidiano precisam da inteligência lingüística e essa busca espacial da matemática não dispensa a inteligência sinestésica corporal. Não há nada mais matemático do que a dança de um grande bailarino, e a própria expressão da geometria não dispensa a inteligência pictórica. A espacialidade é quase nada sem matemática e os grandes músicos fazem da sua arte uma matemática sonora. Toda a força poética dessas múltiplas relações talvez se sintetize na mensagem de Fernando Pessoa: "O binômio de Newton é tão belo quanto a Vênus de Milo."

O estímulo a essa inteligência, evidentemente, não se limita à infância. Interações abstratas, problemas matemáticos, análises algébricas, jogos como gamão e xadrez (igualmente estimulador da inteligência espacial, como se verá), games específicos e que explorem a dedução e o raciocínio analítico, os desafios ligados à engenharia e à arquitetura representam procedimentos recomendáveis, mesmo para os que não busquem essa alternativa lúdica ou profissional. Do ponto de vista biológico, existe algum consenso de que os lóbulos parietais esquerdos e as áreas de associação temporal e occipital contíguas assumem relevância no desempenho dessa inteligência, e lesões nessa área ocasionam colapsos em capacidade de cálculo, desenho geométrico e orientação esquerda/direita.

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